Moderno=Progresso? Antigo=Retrocesso?

Antigo é sinônimo de retrocesso?

“Nada é inferior por ser antigo, e nem nada e superior por ser moderno”, disse John Piper.

 

Nossa sociedade pós-moderna é viciada no soro do progresso. Consequentemente, se olhar para frente é progresso, segue que olhar para trás é retrocesso. Obviamente essa linha de raciocínio limitada e estreita é altamente falaciosa, pois nossa sociedade atual é construída em cima de fundamentos que foram colocados no passado.

 

Todos os conquistadores que foram bem sucedidos em colocar países de baixo de regimes totalitários foram exitosos por seguirem uma regra fundamental: apagar a história da nação da memória do povo.

 

Imagine que você tenha sofrido de amnésia. Sua memória de quem você é foi totalmente apagada. Você lembra como se fala sua língua, como se usa o banheiro e como se come. Mas não se lembra qual seu estilo de roupa, qual sua literatura favorita, nem sequer de qual comida gosta mais. “Será que sou agitado ou calmo? Gosto de dormir cedo ou sou mais produtivo pela manhã? Sou Batista ou Presbiteriano? Já fui batizado? Será que sou cristão? E se eu for budista? Será que meu nome é mesmo _____?” O que estou te apresentando é uma crise de identidade.

 

Quer descobrir como produzir uma crise de identidade sem que seja necessário a amnésia? Estude a vida de Stalin, Hitler, Mao Zedong, Kim II-sung, e até mesmo do querido e amado Lula (não o Lula Molusco do Bob Esponja, aquele lá não sabe de nada). Basicamente todos eles conseguiram apagar a história de seus países e inserir a idéia de que o novo é bom e o velho é ultrapassado. Caio Fábio, teólogo brasileiro odiado por muitos, é um homem que defende a idéia de que o pensamento do homem é progressista. Ou seja, Paulo de Tarso não tinha a expansão de consciência e conhecimento que nós hoje temos. O que me intriga é saber que o século 20 é o século que contém mais guerras e óbitos provenientes do mesmo. Avanço? Avançando para onde?

 

O problema das idéias progressistas é que progresso nem sempre é bom. Andy Mineo, rapper americano, em sua música “Ayo”-que tem um videoclipe animal, só pra deixar registrado-diz a seguinte frase: “What’s the point of getting fly, if you ain’t ready for the flight?” Basicamente, a idéia que ele deixa registrado aqui é esse sentido de progresso. De que vale progredir se não sabemos para onde estamos progredindo?

 

Peter Abelard, Aristóteles, Cícero, Demócritos, René Descartes, Thomas Edison, Thomas Jefferson, Locke, Euclides, Thales, Platão, Montaigne, Roosevelt, Lucretius, Shakespeare… Sabe o que estes nomes tem em comum? Todos eles são nomes de homens que viveram a muito tempo atrás, e todos eles ajudaram, de certa forma, a formar a civilização ocidental em que vivemos. Será que o passado é realmente sinônimo de retrocesso? Se você usar sua massa cefálica pra pensar, não. Qual a direção de nosso progresso? Mais guerras? Mais bombas atômicas? Mais experimentos com humanos?

 

Se estamos caminhando para longe de Deus, estamos caminhando rumo a um precipício. E nossa sociedade não apenas caminha como zumbis, mas corre em direção ao precipício. Assim como os Egípcios, entre 3100AC a 2900AC, valorizavam a morte como uma espécie de ápice em sua hierarquia, nossa sociedade pós-moderna parece ter em si uma ideia fantasmagórica de que correr para um precipício é algo bom. Ou será que como Paulo elas poderão dizer que pecaram ignorantemente (1Tm. 1:13)? Creio que eu não. Comparar um homem que vivia para a lei de Deus, porém de maneira errada por sua ignorância, com homens que tem prazer na maldade é realmente um ato de covardia. Qual sociedade valoriza mais a morte e a escuridão que a nossa? Filmes de morte, jogos violentos, xingamentos são aceitáveis, palavrões são apenas adjetivos e advérbios de intensidade, demônios são fortes e perigosos nos filmes, enquanto anjos quase sempre são criaturas fofinhas que dá vontade de botar numa gaiola e acariciar 3 vezes ao dia para acalmar o stress. Não estou me excluindo dessa sociedade como algum tipo de Puritano não-reformado do século XXI, mas apenas afirmando o grau de depravação que chegamos.

 

Traga a reflexão na sua mente do objetivo de nosso progresso. Para onde estamos indo? O que os próximos 10 anos nos tem preparados? Homens covardes? Mulheres-machos? Homossexualismo como algo normativo? A queda na reprodução humana e por consequência um possível domínio animal? A soberania do valor animalesco em relação a fetos humanos? Células em marte consideradas como vida, mas fetos com expressões faciais e respostas a estímulos consideradas como corpúsculos inanimados? Bombas Tsar e variações de B41 nas mãos dos seres humanos mais corrompidos da terra? A supremacia televisiva em proporção da erudição? Bem, estas perguntas precisam ser respondidas se você quer que o Evangelho continue avançando de maneira avassaladora. E nem isso, se você quiser viver em uma sociedade que não se parece com o filme Jogos Vorazes, é bom colocar a cabeça pra pensar. Comprar alguns livros do amigo Olavo de Carvalho, ouvir algumas aulas de filosofia da mente, e se transformar em uma espécie de homem renascentista para poder se defender do que está batendo a sua porta possivelmente seja a chave.

 

Oremos e vigiemos para que não nos conformemos com este século. Oremos e clamemos para que o Senhor coloque peso e tristeza em nossos corações pela sociedade que vivemos. Nos arrependamos e choremos por termos deixado a sociedade moldar nossa imagem de “d”eus. Voltemos a buscar inspiração em homens como Montaigne, Shakespeare, Cervantes, Gutenberg, Pico, Bacon, e Leonardo. Que a educação liberal mais uma vez nos liberte da ignorância que nos cerca e está mais que pronta para destroçar nossas famílias. E que o Senhor nos conceda graça e sabedoria para sabermos como utilizar nosso tempo em prol da comunidade, pois disso havemos de prestar contas no fim.




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Natan de Carvalho é estudante de Teologia e Filosofia na Southeastern Baptist Theological Seminary, na Carolina do Norte. O Catarinense, de Jaraguá do Sul, agora reside em Raleigh, aonde congrega e serve na Crossroads Fellowship Church. Natan também está colaborando na tradução do Logos Bible Software para o Português. Completou o Intensivo Ministerial e Missionário com o minstério Clamor de Media Noche, e também cursou teologia no Instituto Teológico Batista Catarinense.

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