Por Qual Amor Você Espera?

13436100_1740538229546230_2120388598_nO amor está no ar. Reparem. Você liga a Tv, 9 em cada 10 canais passam filmes de amor, no rádio as canções só falam disso. Nas redes sociais, tudo é lindo e romântico. Tanto,  que mesmo aqueles que esperam em Deus também se animam com o lirismo dos romances propagandeados. Na verdade, conheço poucos solteiros que não pensam encontrar um amor. Mas afinal, que amor é esse?

Tim Keller diz que, por não crer mais na eternidade, muitos de nós ocidentais buscamos redenção e completude no sentimento pelo outro. Queremos viver um grande amor. Uma história só nossa, daquelas que só se vê nos filmes. O amor, neste caso, fica melhor representado por seu conceito na palavra grega ἔρως (Eros), que, entre outras coisas, descreve o desejo pelo outro, o amor romântico, o “o fogo que arde e não se vê, a ferida que dói e não se sente”, como escreveu Camões. No entanto, o “felizes para sempre” na sociedade contemporânea dura muito pouco. Na liquidez das relações modernas (como Bauman descreve), esse amor tem prazo de validade. Em seu famoso poema, Vinícius de Moraes o define com perfeição: ele é “infinito enquanto dura”. O que torna a busca por outros amores um ciclo sem fim.

Em contraste com esta idéia, C.S. Lewis diz que “tudo que não é eterno, é eternamente inútil”. Uma vez que cremos na eternidade, todas as nossas relações são ressignificadas. Embora belos, não nos bastam os sentimentos, as poesias, as belas palavras, o romantismo. Não nos basta a efêmera paixão.  O Eros tem sim seu papel na beleza dos relacionamentos. Entretanto, o caráter eterno de nossa relação com Deus em nós deve levar às nossas relações um outro tipo de amor.

Para esse amor, temos a palavra grega “ἀγάπη” (Ágape). Ela está presente em diversas partes do novo testamento. É o caminho “sobremodo excelente” descrito pelo apóstolo Paulo no texto clássico para casamentos I Co 13. Ao analisarmos o texto de maneira atenta, percebemos que ele não se refere ao mesmo desejo imediato (e talvez egoísta) do “Eros”. Percebemos nele o caráter sacrificial, doador, generoso. O mesmo amor que Deus nos amou e morreu por nós (“ágape” é a palavra utilizada em Jo 3:16). É aquele que, em contraste com a efemeridade dos amores líquidos de nossa geração, o texto de Coríntios (13:8) diz que: “jamais acaba”.

Sendo assim, podemos compreender que, muito embora sejam lindos e naturais os nossos ideais românticos, e que o nosso desejo de encontrar alguém seja importante (afinal, a palavra diz que “não é bom que o homem esteja só”), é necessário que sejamos sábios. Desta forma, crendo no eterno, satisfeitos no único amor que pode nos redimir e completar, a nossa espera ou nossos sentimentos nutridos por alguma pessoa não se fundamentarão na efemeridade do romantismo da era presente. Pois, a compreensão de que somos amados incondicional e eternamente por Deus nos ensina o tipo de amor que devemos esperar, e, principalmente, tipo de amor que precisamos aprender a amar.

 

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Mayara Lima é professora de inglês graduada em Letras Estrangeiras Modernas pela Universidade Estadual de Londrina e pós-graduanda em religiões e religiosidades pela mesma Universidade. Como estudante, tem interesse em estudos da linguagem focados na tradução de textos religiosos e em análise do discurso. Pessoalmente, gosta de literatura, especialmente poesia, e também teologia. Mora em Apucarana, no Paraná, e congrega e serve na Comunidade Nova Aliança nesta cidade.

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