Molinismo – Comentários Sobre o BTCast 164

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Na terça feira, dia 16 de Agosto, o Bibotalk publicou seu podcast de número 164. Com participação de nosso irmão em Cristo Antônio Neto, eles conversaram um pouco sobre Molinismo. Meu inbox recebeu algumas mensagens requisitando um review e eu prometi, então aqui está!

Primeiramente gostaria de parabenizar o BTCast, por sempre estar aberto a diferentes vertentes teológicas e filosóficas. Ouço vários de seus podcasts e nunca saio “carregado”. Digo, o podcast sempre tem aquele clima de conversa de bar de fim de tarde. Amigos em volta de uma mesa tomando uma cerveja e humildemente conversando sobre diversos assuntos sem a intenção de transformar tudo em briga. Muito obrigado pelo trabalho! Em segundo lugar agradeço ao Antônio Neto por, apesar de não ser Molinista, apresentar nosso sistema de maneira coerente. Fico no aguardo de seu mestrado aonde, possívelmente, você irá “tirar o molinismo da gaveta” e tentará conciliar o Conhecimento Médio com o Calvinismo. Espero ter a graça de ler seu trabalho. Sem mais delongas, vamos ao trabalho.

O Molinismo de Neto

Ao que me parece, Neto fez um bom trabalho ao explicar os conflitos Dominicanos e Jesuítas nos tempos de Molina. No tópico “Problemas Com o Molinismo” irei apresentar uma posição minha mostrando como creio que os Jesuítas estejam mais próximos do que os Dominicanos em sua busca pela verdade. Através das obras citadas por Neto, sou inclinado a concluir, ainda que breve e antecipadamente, que Neto não conhece muitos autores Molinistas. Eu gostaria de acrescentar a lista apresentada conhecidos como Randy Everist, Tim Stratton, Nolan WhitakerJonathan Thompson, e até mesmo Fellipe Mariano. Todos estes são do “submundo” do Molinismo. No Youtube você também encontra outras pessoas como Richard Porter, e Jonathan Thompson conversando sobre o Molinismo. Digo isso para mostrar que o Molinismo é variado e complexamente composto de diversidades em sua estrutura. Assim, apresentando que existe Molinismo além de William Lane Craig e Kenneth Keathley (que por acaso é meu professor de Teologia Sistemática).

Neto, Cacau, e Mac apresentaram seu desejo de ver o Molinismo como algo mais acessível e na linguagem do povo. Eu, por outro lado, quero fugir disso. Por que? Bem, porque não creio que isso seja possível. Ao responder “por que sujeito A tinha a opção de rejeitar a graça mas não rejeitou”, Neto responde de maneira simples. E eu agradeço sua boa vontade. Mas não creio que a resposta foi a mais completa. Ele poderia ter respondido afirmando que é possível que a preposição de que sujeito A rejeitaria a graça em momento S é simplesmente falsa. Nessa linguagem a pergunta é respondida de maneira simples e completa. A resposta dada por Neto parece não analisar a preposição, mas o mundo em sí. Relembro então que tal análise é inválida a não ser que o locutor adote a visão de mundos possíveis de David Lewis, que é justamente o que o Neto rejeita. Enfim, não quero pegar muito no pé dele, mas gostaria de afirmar que não tenho desejo de ver o molinismo de forma simples. Kenneth Keathley, em Salvation and Sovereignty: A Molinist Approach, apresenta uma maneira simples de entender o Molinismo. Por conta disso, o livro recebe diversas críticas. Críticas que poderiam muito bem ser respondidas se o livro fosse mais acadêmico e técnico. Entre outros livros para principiantes eu recomendo os dois livros abaixo:

  • An Introduction to Molinism: Scripture, Reason, and All that God has Ordered; Max Andrews.
  • A Molinist-Anabaptist Systematic Theology; Kirk R. MacGregor.

Mantenha em mente, porém, que ao ler estes livros você está lendo uma obra introdutória e que as dúvidas que você terá podem já ter sido respondidas em outros livros. No fim deste texto irei indicar alguns livros sobre Molinismo, livre arbítrio, e lógica modal. A crítica de que o Molinismo não pode ser monergista foi respondida de forma simples em SS (Salvation and Sovereignty), e a resposta não foi satisfatória provavelmente porque foi super simplificada. De qualquer forma, perdoe-me se estiver errado. Minha análise se baseia em um breve “Keathley falho em demonstrar como Molinimo é monergista”, então não tenho muito para trabalhar.

Luis de Molina e Monergismo

O que posso fazer, neste caso, é apresentar palavras de Molina, demonstrando que ele acreditava, junto com Calvino, que a salvação depende inteiramente de Deus (ao contrário das afirmações de Neto de que qualquer Molinista vai dizer que Deus salvou A e A escolheu ser salvo). No livro 7 de sua Concórdia, Molina se pergunta se “a causa da predestinação pode ser imputada em parte ao predestinado” (Concordia 7.23.4-5.1). Indo contra Pelágio e Orígenes, ele afirma, baseando-se em Romanos 9:11-13, que “fé prevista por Deus não pode ser a fundamentação da justificação ou da predestinação” (7.23.4.-5.2). Com essa afirmação, e no mesmo argumento, Molina vai contra o que Neto apresentou como o que todo molinista crê (sinergismo) e também vai contra o que William Lane Craig crê a respeito de reprovação transmundo (por mais que eu concorde com Craig, e não com Molina). Para que fique claro, digo, junto com Molina, que “o efeito total da predestinação depende somente no livre arbítrio de Deus”.

O conceito de que Deus salva e condena baseado em sua presciência é de Arminius, não de Molina. Veja:

“O decreto de Deus para salvar ou condenar indivíduos em particular… tem seu fundamento no pré-conhecimento de Deus, pelo qual ele sabe desde a eternidade quais indivíduos iriam, através de sua graça previniente, crer, e quais, através de sua graça subsequente, iriam perseverar… e quais, por sua presciência, ele também soube quais não iriam crer e perseverar” (Declaration of Sentiments, em Writings; 1:248).

Para clarificar ainda, contraste o que eu disse sobre Molina com o que Arminius disse: “Neste caso, como aparenta, depende a certeza da nossa salvação, e ao mesmo tempo a segurança da nossa salvação em nós mesmos” (Romans; 3:540). A doutrina da eleição, quer condicional ou soberana, é “repugnante para a natureza de Deus”, de acordo com Arminius (DS, 1:221-222, 230, 228). O texto, por afirmar que Deus “sabe desde a eternidade” parece demonstrar que o conhecimento de qual Arminius se refere é o médio, com objetivo de ser o fundamento do conhecimento de Deus. Tal argumento, entretanto, cai por terra, visto que Arminius, como Molina, adota a teoria do tempo A e não a teoria do tempo B. Enfim, me parece que a visão de conhecimento médio de Neto é mais Arminiana do que Molinista. A visão Arminiana de Scientia Media me preocupa em questões como a doutrina da aseidade, enquanto a Molinista me faz deitar e descansar em Deus, visto que “Deus não obtém seu conhecimento a partir de coisas, mas sabe todas as coisas em si mesmo e de si mesmo; portanto, a existência de coisas, quer em tempo o quer na eternidade, não contribui em nada para o conhecer de Deus do que vai ser e do que não vai ser” (Foreknowledge, Molina; 4.49.12, 11).

Meu amigo Fellipe Mariano, do blog Molinismo, contribuiu com algumas observações que eu agora cito. Todas as suas citações são baseadas no livro Life and Theology of Luis de Molina. “Molina concordava com a exegese de Calvino sobre Romanos 9 como sendo eleição de indivíduos e não ‘povos’ meramente. Para Molina, a exegese de Romanos 9 feita ao estilo de Armínio (lembro aqui que Molina nunca chegou a ter conhecimento dos ensinos de Armínio) era defeituosa pois forçava Deus a salvar qualquer indivíduo que colocasse sua fé em Cristo. Para Molina, a eleição corporativa deixa Deus sem escolha de decidir se cada pessoa é salva ou não. Ou seja, cada pessoa faria essa escolha por si só. O que, para Molina, era uma violação da soberania de Deus. Para Molina, a causa e a base para a eleição ou reprovação é a vontade soberana de Deus. Deus poderia ter escolhido qualquer eleito para a perdição, ou qualquer réprobo para a salvação.”

Mundos Viáveis e Livre Arbítrio

Fora isso, pode ouvir o que Neto tem a dizer sobre a sequencia lógica (não cronológica) dos conhecimentos de Deus. Muito bom! Gostaria de simplificar o termo mundo viável ou factível, como prefiro: Um mundo factível seria um mundo em que P ou Q pode ser livremente instanciado por A em momento S. Um mundo não-factível é um mundo em que A livremente instanciasse V ao invés de P ou Q em momento S. Tal mundo seria inviável porque o conhecimento de Deus sabe que P ou Q eram as opções disponíveis. As instanciações de P ou Q são dadas de acordo com a coleção de opções disponíves devido ao tornar preposições anteriores positivas ou negativas. Tendo dito isso, agradeço ao Neto por sua explicação de Livre Arbítrio Libertário, mas gostaria de negar que “a possiblidade de fazer ou deixar de fazer” A é o principal pilar do LAL (todos vindos de SS, de Keathley):

  • RF – Responsabilidade Fundamental
    RF indica o fundamento das decisões. Como saber quem é a fonte da salvação? Identifique quem é, fundamentalmente (ou, em último caso), responsável pela ação. Seres humanos são fundamentalmente responsáveis pelo seu pecado, e Deus pela salvação. A culpa é nossa e o crédito é dele. RF, então, foca no fundamento e na fonte das ações e das escolhas das pessoas.
  • AC – Agente Causativo
    Seres humanos são culpados perante Deus porque eles são a origem de seus pecados. Por mais que cada um tenha herdado o pecado de Adão, cada um é o agente causativo de seus próprios pecados. Fabricantes de armas não são as causas dos assassinatos, e açúcar não é responsável por obesidade infantil. LAL indica que o responsável é, além de ser aquele que é responsável pelo ato em si, mas aquele que instancia o ato no mundo atual. O agente causativo não é apenas um link em uma cadeia de eventos, como afirmam alguns Calvinistas. Ele não é apenas uma flecha lançada (agora você sabe de quem estou falando). AC é aquele que opera a nova cadeia causal de eventos.
  • PA – Possibilidades Alternativas
    Agora sim chegamos ao que Neto descreveu como a habilidade de fazer ou deixar de fazer algo. Em MF, a opção de escolher ou não pode não ser verdadeira. Por isso, PA deve estar presente em MF.
  • MF – Momentos Formativos
    Uma pessoa que pula de um precipício está em um momento formativo. Pular ou não pular é o MF, que é, no caso, uma PA. Após pular, o momento foi formado. Voltar ao topo é impossível visto que uma das PA’s foi escolhida em MF. Isso nos mostra que nossas escolhas nos mudam e são importantes. Por exemplo, fazer ou não fazer suas disciplinas espirituais são PA que se encaixam em MF.

Posso entrar também em liberdade de responsabilidade e liberdade de integridade, mas o texto já está bem longo assim então vamos deixar pra lá. Só escrevi porque gostaria de demonstrar que existe muito mais para o LAL que PA.

Problemas com o Molinismo

Por fim, Neto nos mostra alguns problemas com o Molinismo. Vamos analisá-los parte por parte:

  1. Não precisamos de categorias filosóficas para conciliar os antinômios bíblicos. Fato! Se você for pressuposicionalista. Eu, no caso, não sou. Por não crer que Deus criou a lógica, eu afirmo que as doutrinas cristãs devem ser lógicas. Me parece que Neto usa antinômio e mistério como substitutos para “contradição lógica”. Não quero fazer esta crítica pois creio que ele é um homem que tem interesse filosófico, então apenas respondo sua afirmação desassociada. C. S. Lewis certa vez disse: “a questão genuínamente crítica é “por que, e como, devo ler isso?” (Selected Literary Essays, Psycho-Analysis and Literary Criticism; 286). Esta é a pergunta que todo não-crente se faz quando analisa os documentos cristãos. Diante de tal pergunta, “como ler o texto”, podemos dizer que (a) na mente de Deus tudo isso faz sentido, ou (b) que estas coisas não são contradições, mas por conta da queda não somos tudo que poderíamos ser, ou até que (c) estas coisas não se contradizem (digo, a liberdade humana a presciência Divina). Porém enquanto (a) e (b) pressupõe a queda e (c) abafa o raciocínio, creio que outra resposta pode ser possível: Molinismo. Neto está certo em dizer que não precisamos do Molinismo para ler a Bíblia. Porem sua afirmação parece ser dissolvida em exclusão do pensamento lógico por um senso místico de sabedoria Divina transcendente
  2. Se quisermos nos utilizar de tais categorias filosóficas para conciliar os antinômios, então o Molinismo tem problemas soteriológicos. Esta é a parte mais difícil de analisar, porque Neto não explicou o que ele quis dizer com isso. Para me privar de interpretações precipitadas e palavras não pensadas eu peço ao Neto que explique quais são suas dificuldades com o Molinismo no campo soteriológico. Gostaria de analisar seus questionamentos.

Por fim, fecho com uma frase dele mesmo a respeito do Molinismo:

“O Molinismo oferece uma proposta realmente equilibrada da Soberania de Deus e da Liberdade Humana” (1:05:00h).

Um ótimo diálogo para aqueles que estão querendo conhecer mais sobre o Molinismo. Deixei aqui minhas observações referentes ao Conhecimento Médio na visão Arminiana e Molinista, alguns pontos sobre Livre Arbítrio Libertário, e alguns ajustes nas palavras de Neto, aqui e alí.

Recomendação de Leitura

Disponho abaixo uma lista de livros intermediários e avançados que deve ser lido por todo aventureiro que esteja penetrando as profundas águas do Molinismo. Aproveite a leitura:

  • The Philosophy, Theology, and Science of Molinism – Max Andrews
  • The Only Wise God: The Compatibility of Foreknowledge & Human Freedom – William Lane Craig
  • Middle Knowledge – Eef Dekker
  • Divine Providence: The Molinist Account – Thomas P. Flint
  • Four Views on Divine Providence – Helseth, Craig, Highfield, & Boyd
  • A Companion to Luis de Molina – Matthias Kaufman & Alexander Aichele
  • On Divine Foreknowledge: Part IV of the Concordia – Luis de Molina & Alfred J. Freddoso
  • Molinism: The Contemporary Debate – Ken Perszyk
  • Luis de Molina: The Life and Theology of the Founder of Middle Knowledge – Kirk R. MacGregor

A respeito do livre arbítrio recomendo:

  • An Essay on Free Will – Peter van Inwagen
  • The Oxford Handbook of Free Will – Robert Kane
  • The Significance of Free Will – Robert Kane
  • Mind, Brain, and Free Will – Richard Swinburne

A respeito de lógica modal recomendo:

  • A New Introduction to Modal Logic – M. J. Cresswell & G. E. Hughes
  • Conceivability and Possibility – Tamar Szabo Gendler & John Hawthorne
  • Counterfactuals – David Lewis
  • Actuality, Possibility, and Worlds – Alexander R. Pruss.

 

 

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Natan de Carvalho é estudante de Teologia e Filosofia na Southeastern Baptist Theological Seminary, na Carolina do Norte. O Catarinense, de Jaraguá do Sul, agora reside em Raleigh, aonde congrega e serve na Crossroads Fellowship Church. Natan também está colaborando na tradução do Logos Bible Software para o Português. Completou o Intensivo Ministerial e Missionário com o minstério Clamor de Media Noche, e também cursou teologia no Instituto Teológico Batista Catarinense.

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  • Antonio Neto

    Olá Natan. Eu não havia visto esta sua postagem e fiquei surpreso com ela. Aliás, alegremente surpreso. Desde já te agradeço pela forma gentil de revisar minha participação no BTCast.
    Bem, queria comentar algumas coisas.

    1) Você parece ter razão quando diz que eu não conheço muitos autores molinistas. Eu realmente não estudei a fundo a ponto de conhecer o “submundo” do molinismo. Minhas pesquisas ficaram naquilo que é mais popular mesmo, como Craig, Keathley, Plantinga, Flint e todas as interações de oponentes, assim como as modificações calvinistas de Bruce Ware. Em parte, isso se deveu ao fato de eu ter realmente que arquivar minha pesquisa. Agora, porém, já estabeleci minha dissertação de mestrado nesse tema, e desde já te rogo sua contribuição, se for possível, claro!

    2) Até certo ponto, eu posso concordar contigo que não dá para o molinismo ser expresso de maneira simples. Porém, eu concordaria se você disser que não dá para ser “simplório”. Ou seja, é impossível que o molinismo, assim como o calvinismo e o arminianismo, sejam tratados de maneira simplória. Porém, o molinismo carece de um “Eleitos de Deus” de Sproul, um livro que sistematiza a posição, mas com todo o cuidado devido para ser simples, porém não simplório.
    Sinceramente, se o molinismo não puder jamais ser ensinado em um púlpito, ele perde, ainda mais, a razão de existir.
    Não quero ser aqui um pragmático, apenas dizer que Craig tem feito um bom trabalho na simplificação destes conceitos. O que falta é a popularização, e eu sei que é possível.

    3) Eu realmente fiquei interessado nessa declaração “me parece que a visão de conhecimento médio de Neto é mais Arminiana do que Molinista. A visão Arminiana de Scientia Media me preocupa em questões como a doutrina da aseidade, enquanto a Molinista me faz deitar e descansar em Deus, visto que “Deus não obtém seu conhecimento a partir de coisas, mas sabe todas as coisas em si mesmo e de si mesmo; portanto, a existência de coisas, quer em tempo o quer na eternidade, não contribui em nada para o conhecer de Deus do que vai ser e do que não vai ser”
    Não sei como eu exibi isso em minha apresentação. Eu entendo que o molinismo não afirma que Deus elege pela presciência, mas sim pelo uso de seu conhecimento de contrafactuais verdadeiros, os quais Deus conhece de si e em si mesmo.
    Se não era isso que Molina cria, então me falta mais leitura do pensador original (voltamos ao ponto 1 acima). Mas certamente é o que os principais molinistas crêem.

    4) Gostaria de corrigir o que você disse que “Me parece que Neto usa antinômio e mistério como substitutos para “contradição lógica” e “Neto está certo em dizer que não precisamos do Molinismo para ler a Bíblia. Porem sua afirmação parece ser dissolvida em exclusão do pensamento lógico por um senso místico de sabedoria Divina transcendente”. Absolutamente, meu irmão!
    O ponto da minha argumentação é que, no final das contas, a doutrina do conhecimento médio não é ensinada nas Escrituras e, por isso, ela pode ou não ser verdadeira. No máximo, a Bíblia diz que Deus tem conhecimento de contrafactuais. Todavia, ela, em nenhum momento, afirma que Deus utiliza contrafactuais na execução de seu plano.
    A mesma crítica pode ser dirigida ao determinismo calvinista.
    Assim, meu ponto é que, no final das contas, esta doutrina não é tão valiosa assim, pois embora seja, a meu ver, a melhor forma de conciliar a soberania divina com a liberdade humana, ela carece de fundamentação bíblica e, por isso, carece de autoridade inerrante.
    Obviamente, temos uma diferença de metodologia aqui. Eu, sendo da área da teologia sistemática, tenho profundo interesse pela filosofia. Porém, sigo a metodologia de que a teologia sistemática deve ser formulada sob a teologia bíblica e, por isso, deve atender às demandas da TB.

    5) Meu problema central com o molinismo é que ele, até onde o conheço, exclui a possibilidade de um conceito calvinista de graça irresistível. Como eu encontro fortes fundamentos bíblicos para esta doutrina, meu molinismo foi totalmente posto em cheque. Assim, retomarei essa questão agora no mestrado e tenho muito interesse em ouvi-lo nesse quesito.

    Mais uma vez te agradeço a interação. Deus abençoe tua vida e seu ministério aqui na internet.

    • Antônio,
      Obrigado pelo seu comentário! Fico grato em recebê-lo!
      Concordo em quase tudo que você falou, o que me leva a concluir que podemos concordar em descordar. Meu objetivo com o site e com minha page não é de me tornar mais um no eterno debate soteriológico, mas sim, de educar pessoas a pensarem criticamente sobre tudo. Meu texto foi apenas uma análise crítica da sua entrevista.
      Concordo com você sobre a falta de simplicidade do Molinismo. Mas ao mesmo tempo não vejo necessidade de ensinar o Molinismo nos púlpitos. Eu ensino a Palavra. Ensino que o ser humano tem de dar uma resposta a oferta divina, e ensino que Deus escolhe seus eleitos. Caso a pergunta apareça, eu responderei, como qualquer pessoa, com filosofia ou mistério. O site, no entanto, não tem o intuito de ser pastoral, mas sim acadêmico.
      Eu creio que o conhecimento médio é ensinado nas Escrituras. Não contenderia que tem o mesmo valor ou mesma clareza do que a doutrina da criação, por exemplo. Mas consigo ver o conhecimento de Deus como conhecimento médio nas Escrituras. Talvez uma hora eu escreva sobre isso. No momento estou elaborando um curso da Doutrina de Deus para colocar no Youtube e escrevendo sobre a expiação de Cristo para o site então estou sem tempo no momento.
      De fato, creio que o Molinismo exclui sim GI. E eu estou feliz com isso. Interessante que Graça Irresistível é o que te afastou do Molinismo, quando o mesmo foi um dos principais motivos para eu me afastar do Calvinismo.
      Não posso prometer a ninguém que vou me delongar nisso. Meu propósito é de fazer cristãos pensarem criticamente sobre a cultura, sobre o mundo, enfim, a serem pensadores. Vejo vários sites fazendo um ótimo trabalho na eterna cruzada soteriológica mas simplesmente não vejo como eu poderia ser benéfico neste meio.

      De qualquer forma, agradeço sua colaboração, irmão! Que Deus te abençoe!

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