O Caráter e a Metodologia do Apologéta

O Caráter

Meu mentor, James Dew, reitor do College at Southeastern, sempre me questiona a respeito do meu caráter como filósofo. Welty certa vez disse, “se você for ao mundo com a verdade em seus lábios e orgulho em seu coração, você fará mais mal do que bem.” É verdade que o apologéta deve destruir fortalezas, anular sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus. Mas ele deve se lembrar que as armas da nossa milícia, nossa racionalidade e boa retórica, não são carnais. Elas são poderosas em Deus, e o apologéta deve sempre levar seus pensamentos, argumentos, e ideias cativas à obediência de Cristo (2 Coríntios 10:4-5). Somos sim filósofos, ou seja, amantes do conhecimento. Mas buscamos o conhecimento verdadeiro em amor, crescendo em Cristo, tal como sugere Efésios 4:14-16.

A todos que decidirem obedecer o mandamento bíblico de defender a fé cristã, peço que portem-se com sabedoria para com os de fora. Que suas palavras sejam agradáveis, temperadas com sal, e que saibam responder a cada um de forma individual (Colossenses 4:5-6). Valorizando o ser-humano, não somente copiando e colando aquilo que leu no passado. Se é necessário que defendamos a fé? Certamente! Mas também é necessário que não vivamos a contender. Devemos ser aptos a instruir de forma branda e paciente. Responderemos aqueles que se opõe? Certamente! Mas o faremos com mansidão, na expectativa de que Deus os leve ao arrependimento, e que eles venham a perceber e reconhecer seus erros (2 Timóteo 2:24-25). Em resumo, se possível, naquilo que depender de vós, tende paz com todos os homens (Romanos 12:18).

Minha Metodologia

A apologética pode ser defensiva, ela pode responder objeções que são levantadas contra o que cremos. Nesta abordagem, se nos disseram que é impossível que um Deus moral condene pessoas ao inferno, podemos demonstrar a Coerência do Teísmo, garantindo que os ouvintes entendam que não existe nada de contraditório no conceito de Deus, ou até mesmo na Palavra de Deus. Nisso, demonstraremos a Racionalidade das Crenças Cristãs ao opositor.

Se Deus é bom e onipotente, ele pode e quer que o bem governe. Se este é o caso, por que encontramos tantos casos de maldade no mundo? A este tipo de pergunta praticamos a apologética ofensiva, demonstrando o erro no pensamento do argumentador. E com todas as religiões do mundo, como pode só o cristianismo estar certo? Aqui tentaremos mostrar ao inquiridor que o Cristianismo tem as melhores explicações para os fenômenos naturais e supranaturais que conhecemos.

Nesta abordagem apologética também respondemos os problemas do pós-modernismo e até do criticismo bíblico. Existem outros campos que também são explorados, mas agora que fundamentamos a ideia da apologética defensiva, apresentarei a apologética ofensiva. Esta expõe a tolice dos argumentos dos adversários. Ela estuda e busca compreender de forma honesta e paciente os argumentos e pensamentos de outras religiões, e até daqueles que se dizem sem religião, e demonstra a falha no pensamento pagão e ateu. Devemos nos lembrar, porém, que nem tudo que é de fora é mau. A igreja não é um bunker antibombas que se protege de tudo que é mau. Nada melhor que uma boa aula sobre os contextos do Antigo Oriente Próximo e Filosofia Grega para entender que os autores cristãos se apropriaram de conceitos pagãos e ideias não próprias para explicar algo sobre Deus e sobre eles mesmos. De Paulo declamando um poema dedicado originalmente a Zeus para Deus, até a ideia de que as emoções se localizavam nas entranhas, devemos nos lembrar de Agostinho—devemos nos lembrar que “Toda verdade é a verdade de Deus.” 2+2=4 na boca do ateu, do satanista, do budista, e do cristão. Usemos de sabedoria, amor, e conhecimento da graça comum de Deus em nossa apologética ofensiva.

Por último, podemos utilizar-nos da apologética como prova; podemos demonstrar a racionalidade da fé cristã. Nisso, mostraremos aos descrentes que a Palavra é inspirada por Deus, que a ressurreição de fato ocorreu, e que temos boas razões para crermos na existência de Deus. No próximo texto de nossa série introdutória a apologética, eu irei apresentar minha abordagem e introduzir o argumento cosmológico Kalam.

Fique ligado!

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Natan de Carvalho é estudante de Teologia e Filosofia na Southeastern Baptist Theological Seminary, na Carolina do Norte. O Catarinense, de Jaraguá do Sul, agora reside em Raleigh, aonde congrega e serve na Crossroads Fellowship Church. Natan também está colaborando na tradução do Logos Bible Software para o Português. Completou o Intensivo Ministerial e Missionário com o minstério Clamor de Media Noche, e também cursou teologia no Instituto Teológico Batista Catarinense.

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