O Melhor de 2016 – Livros, Seriados, Filmes, Música, e Artigos do Ano

O ano está chegando ao fim. O Natal já passou, e começamos a refletir no ano que se foi e pensar no que faremos no ano seguinte. Eu gostaria de compartilhar algumas das melhores formas de arte e coisas que aprecio que experimentei em 2016. Vamos começar com o mais fácil:

Livros

  • Every Square Inch (Bruce Ashford) / Every Waking Hour (Benjamin Quinn & Walter Strickland) / Every Good Thing (David Jones) – Essa coleção introdutória aborda o tema que tem tomado meu coração desde que iniciei meus estudos: como o cristão deve se relacionar com a cultura. Bruce Ashford lida com economia e política, Quinn e Strickland desenvolvem uma introdução a doutrina da vocação e como cristãos devem entender o trabalho semanal, e dr. Jones destrói o Platonismo espiritual que existe dentro da maioria dos cristãos que existem no mundo. Eu recomendo estes livros para todas os cristãos. É uma leitura fácil e curta. Você precisa ler estes livros em 2016.
  • Political Visions and Illusions (David T. Koyzis) – O autor analiza ideologias contemporâneas de uma maneira cristã. Eu amei o trabalho de Koyzis e, em meio às terríveis opiniões políticas que eu vejo no Facebook, eu entendo a necessidade do cristão de ler esta obra. Cada modelo político é entendido como uma ideologia idólatra que pega algo criado e o deifica, tornando-o salvador de determinado mal. Se você acha que “esquerda” é liberal e “direita” é conservadora você precisa ler esta livro *(urgentemente)*.
  • A Theology for the Church (Daniel Akin) – Talvez esta seja a melhor teologia sistemática que eu tenho. Uma das maiores decepções que eu tenho com a sistemática de Grudem é seu método (mesmo problema com os textos de Piper). Ao invés de fazer uma sistemática como concordância bíblica com comentarios, os autores desta obra analisam (de certa forma, extensamente) a doutrina na seguinte ordem: (1) O que a Palavra afirma sobre o tema, (2) o que a igreja tem crido a respeito disso, (3) como sistematizar tal doutrina, e (4) qual a importância de tal doutrina para os dias de hoje. Em uma sistemática você tem uma teologia histórica, uma concordância comentada (os autores fazem comentários exegéticos), a sistematização em si, e uma reflexão e aplicação da doutrina. Sem dúvidas, a melhor sistemática que já li. Contribuições de Keathley, Akin, Paige Patterson, Mark Dever, Russell Moore, Albert Mohler, etc. Vai comprar essa sistemática hoje, em nome de Jesus! Observação: se você ler 10 páginas por dia você termina o livro todo em um ano. Que tal aprofundar sua leitura devocional em 2017?
  • Evangelism Handbook (Alvin Reid & Thom Reiner) – Esse livro mudou minha vida. O modo como eu entendo evangelismo agora é totalmente diferente. Alvin Reid dá o fundamento teológico com muito embasamento e tem listas e listas de ideias práticas para te ajudar. O livro pode ser “suplementado” por The Master Plan of Evangelism (Robert E. Coleman), para ajudar a entender como treinar pessoas para serem evangelistas, seguindo o modelo de Jesus e os seus discípulos.
  • Foundations of Evangelical Thought (John Jefferson Davis) – Esse livro não está mais sendo publicado, então é possível que em alguns anos você não consiga mais comprá-lo. Davis dá os fundamentos do pensamento evangélico. Se você pensa que você interpreta a Palavra e o Espírito Santo revela e é só isso que acontece, você precisa ler este livro. Este livro inspirou meu artigo Os Pilares da Metodologia Teológica – Escrituras, Tradição, Razão, e Experiência. O livro é denso e completo, mas é uma leitura recompensadora. Para aqueles que querem serem mais alertas a todas as coisas que influenciam nossa exegese esse livro é um “must have”.
  • The Trials of Theology (Andrew J. B. Cameron & Brian S. Rosner) – Nós teólogos temos muitos problemas a serem enfrentados. Um dos problemas que enfrentamos é não entender a seriedade da tarefa posta diante de nós. Enquanto a Palavra nos diz que poucos devem ser mestres e que vamos ser cobrados de cada palavra fútil que dizemos, ainda temos muitos que pensam que pregar a Palavra e lecionar é falar “o que Deus tem posto no seu coração”. Esse livro contém cartas de teólogos antigos (vozes do passado) e contemporâneos (vozes do presente). Agustinho nos ensina como valorizar a vida devocional, Lutero afirma que a experiência é que faz o teólogo, não sua teoria (não esperavam por essa, hein?), Lewis nos questiona sobre nossos objetivos com a tarefa teológica, e por aí vai. De B. B. Warfield até D. A. Carson, todos são colocados no livro como amigos mais velhos te aconselhando sobre sua tarefa. Se você almeja o ministério você precisa ler este livro.

Não é comum ver teólogos falarem sobre cinema, mas eu creio que devamos pensar críticamente sobre todas as esferas da vida, e o cinema é uma destas áreas que merecem nosso pensamento.

Cinema

Séries:

  • Stranger Things (Matt Duffer & Ross Duffer) – ST é a série que mais me cativou em 2016. O RPG, as roupas, os carros, tudo se uniu perfeitamente para formar uma trama maravilhosa. Eu entendi 11 como sendo uma espécie de Messias, que vem ao mundo para encontrar os perdidos, e dá a sua vida em resgate daquele que se encontra longe de casa. A analogia, obviamente, se quebra e falha em vários pontos. Mas uma série que não depende de pornografia e drogas para se sustentar, e mesmo assim consegue uma audiência incrível merece meus aplausos. Estou ansioso pela segunda temporada enquanto assisto o seriado pela segunda vez 🙂
  • Black Mirror (Charlie Brooker) – Fala sério, tem coisa igual a BM? Essa série vai fundo nas questões éticas e nos faz fazer as perguntas certas: a questão não é se o ser humano pode avançar tanto, mas se ele deveria avançar em determinadas áreas científicas. BM vai colocar sua cabeça pra pensar e te fazer entender o quão perto do “futuro” nós já estamos.
  • Chicago PD (Michael Brandt, Derek Haas, & Matt Olmstead) – CPD é uma séria mais violenta, se não a mais violenta dentre as séries policiais. Frequentemente vemos o sargento Voight passando por cima da lei para conseguir o que precisa. A série faz uma distinção que muitas vezes é esquecida no nosso mundo: a lei não é sinônimo do que é moralmente certo. Além disso, CPD interage com Chicago Fire e Chicago Med, tornando a trama muito interessante e te fazendo entender como os criadores vêem esta Chicago. Eu digo que vale a pena assistir, e quando a série terminar, essa vai ser uma das poucas séries que eu vou comprar o pacote de colecionador (se Deus quiser).
  • Elementary (Robert Doherty) – Esta visão moderna de Sherlock Holmes, que trabalha em Nova Iorque, é muito inspiradora. Assim como eu, Holmes teve problemas com drogas, e luta de maneira radical para não recaír. Se isso não fosse inspirador o bastante, Holmes é um personagem analítico. Ele pensa sobre tudo, e nada passa despercebido. Quem me dera ter essa mente alerta sobre tudo que passa ao meu redor. Temos muito que aprender com este personagem e Doherty está fazendo um ótimo trabalho em demonstrar os lados positivos e negativos de ser um intelectual.

Filmes:

  • Dr. Strange (Scott Derrickson) – Derrickson foi aluno na Biola University, aonde lecionam J. P. Moreland, William Lane Craig, e outros grandes homens. O filme mostra um duelo interessante entre o dualismo substancial e o materialismo naturalístico. Um outro debate também se desenvolve entre a teoria do multiverso e mecânica quântica. Se você assistir o filme com essa perspectiva o filme terá uma outra dimensão aberta diante de você, e você vai ter a oportunidade de entrar em um debate filosófico através do cinema. Quão bom seria se mais cristãos se envolvessem em produzir boa arte…
  • Batman vs Superman: Dawn of Justice (Zack Snyder) – Fico triste em ver que a maioria das pessoas se preocupa mais com “o Superman teria dado uma surra no Batman” do que com o que o filme está querendo transmitir. Esse comentário é quase tão impensado quanto alguém dizer, “até parece, se Deus tivesse brigado com Moisés ele teria destruído toda a terra”. O propósito de Deus e do Superman não era de destruir. O Batman de Ben Affleck retoma o pensamento de Christian Bale. Aonde Bane acusa o Batman de meramente adotar as trevas em The Dark Knight Rises (2012), Snyder incia o filme mostrando que o que acontece é o oposto: o Batman foi adotado pelas trevas. Quer mais? Superman é um semi-deus, alguém intocável pela humanidade, e Batman tenta mostrar a humanidade que humanos podem sim domar os deuses. Da mesma maneira que Lex Luthor tenta “domar” um semi-deus pelo mal, Batman faz Superman sangrar, mostrando à todos que se um homem o fez sangrar, a humanidade toda unida pode conter o mal potencial do Superman. Eu assisti este filme na pré-estréia, sentado junto aos críticos tomando notas e a outros fãs que aplaudiram de pé o espetáculo. Essa experiência estará para sempre marcada em mim, e estou ansioso para ver como o filme vai se unir aos outros que estão por vir.
  • Suicide Squad (David Ayer) – Pode falar o que quiser, mas eu assisti esse filme 6 vezes no cinema e ainda não tive suficiente. A trama me decepcionou um pouco, e Ayer deixou muitos fãs de lado ao cortar uma porcentagem ridícula de desenvolvimento da história do Joker e da Harley Quinn. Eu simplesmente amei o Joker, e achei muito interessante o fato de que ele se inspirou em música folk e pregações de pregadores avivalistas para “incarnar” o Joker. O filme me faz lembrar de uma discussão que tive com dr. Quinn, autor de Every Waking Hour que eu recomendei acima. Nessa discussão estávamos comentando na natureza das coisas, e chegamos a conclusão de que nada é 100% mal. Não me recordo se foi Aquino ou Agostinho, mas um deles chegou a mesma conclusão a respeito de Satanás. Se Jesus é vida e aquele que sustenta tudo que existe (Hebreus 1:3), então ele sustenta Satanás. Existe pelo menos algo nele que não é mal. Isso nos leva a pensar nas coisas criadas: tudo que existe foi criado por Deus e foi criado como algo bom; tudo que é ruim é uma distorção do bem que Deus fez. Talvez este filme te faça pensar e reconhecer que existe chance para todo ser vivente, pois todo ser humano foi criado na imagem de Deus.

Música

  • Best of 2016 Playlist – Essa não é uma playlist com as músicas que eu mais gostei que foram lançadas em 2016, mas a músicas que mais me marcaram em 2016. Ouça e, se gostar, siga e compartilhe 🙂
  • Jon Bellion – Jon é meu músico predileto de 2016. Não existe nenhuma música dele que eu não goste. Por mais que Bellion tenha seus erros aqui e alí, ele tem se relacionado com Andy Mineo e buscado conhecer mais sobre Deus. Tenho orado por ele e espero que um dia possa chamá-lo de cristão.

Artigos de 2016

Aqui vai uma lista do que eu produzi em 2016 em português:

E aqui vai outra lista com o que eu produzi em inglês:

 

28 artigos em português e 17 em inglês somando 45 artigos escritos e publicados. Só pela graça de Deus mesmo! Deus é bom e tem sido fiel em me capacitar e me manter em Seus caminhos. Em 2017, considere orar por mim e pelo site. Sua oração é muito importante!

Aproveite suas férias e seu tempo com sua família! Que Deus te abençoe! Um bom final de ano!

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Natan de Carvalho é estudante de Teologia e Filosofia na Southeastern Baptist Theological Seminary, na Carolina do Norte. O Catarinense, de Jaraguá do Sul, agora reside em Raleigh, aonde congrega e serve na Crossroads Fellowship Church. Natan também está colaborando na tradução do Logos Bible Software para o Português. Completou o Intensivo Ministerial e Missionário com o minstério Clamor de Media Noche, e também cursou teologia no Instituto Teológico Batista Catarinense.

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