Política e Governo: Fundamentos para um Modelo Cristão

Fundamentos

Cristãos devem glorificar a Deus em tudo o que fazem. De mandatos culturais (Genesis 1:28 e 2:15) a comissões evangelísticas (Mateus 28:19-20 e João 20:21), cristãos são chamados a extender o Reino de Deus e apresentar um presságio do sistema que teremos quando Jesus Cristo voltar, cumprindo todas as promessas do Reino. Deus, como definido pelos cristãos, é soberano sobre tudo que há. Deus é completamente outro, totalmente distinto da sua criação; sua própria existência difere daquilo que foi criado. Por causa disso, quando Deus cria seres humanos em sua imagem e semelhança ele os cria compartilhando em nós parte de um ser divinal. Nós, de maneira análoga, compartilhamos a essência de seu ser. Humanos, de certa forma, compartilham os atributos de Deus, porém diferem em sua natureza divina. Resumindo, seres humanos são como Deus, mas não são Deus.

De toda a criação existe apenas uma espécie que compartilha este mesmo nível de divindade. Em outras palavras, em toda criação, humanos são os únicos que tem a imagem de Deus, tornando-os mais valiosos que o resto da criação por conta de sua própria natureza. Porque Deus é livre, seres humanos são livres e a liberdade deve ser valorizada como um outorgação da natureza de Deus à este mundo governado por homens. No entanto, porque Deus fez de si mesmo um homem, a humanidade em si deve ser severamente valorizada. Governantes são responsáveis por governar de forma que honre a Deus. Isto é, de uma maneira que honre a criação de Deus e as propriedades humanas.

Contudo Deus, existindo a se, isto é, existindo como o único ser soberano sobre toda a criação, não dependendo de nada que foi criado ou não criado para sua própria existência, não partilha sua glória com ninguém (Isaías 42:8). Porque Deus é em sí o tipo de ser mais exaltado que existe, humanos nunca podem ser considerados ultimamente autônomos, visto que suas próprias vidas dependem Naquele cuja ontologia é vida. Ademais, visto que Deus é a autoridade fundamental do cosmos, a autoridade humana nunca pode ser deificada. Em outras palavras, a criação não tem autoridade para substituir seu Criador. Ela não pode fazer tal coisa porque isso seria deturpar a realidade presente; e ela nunca vai fazer tal coisa porque não tem capacidade para tal coisa.

In summa, vidas humanas devem ser guiadas pela existência de Deus. Seu caráter, Palavra, e natureza são nossa bússola. Se seres humanos devem espelhar Deus em seus relacionamentos, como isso se parece em um nível “nação-estado”? A Bíblia é clara em como devemos governar nossas vidas, mas como o governo deve governar outras vidas? Os princípios que guiam esta discussão, eu argumento, devem estar fundados no conhecimento de Deus, no conhecimento do homem, e no contraste de ambos. As conclusões estabelecidas nos parágrafos antecedentes nos permitem examinar a validez dos modelos políticos atuais.

Breves Sugestões

Antes de mais nada devo lembrar o leitor que o modelo político perfeito carece de atualização. De forma simples, se um modelo político que alcançasse a perfeição existisse, ele nunca se tornaria real no mundo atual. Isso se deve ao fato de que nossa humanidade é caída. No entanto, como Deus é perfeito, sabemos que o modelo mais próximo da perfeição é àquele que está fundamentado nos princípios estabelecidos por Deus.

Liberdade: Um Princípio Fundamental

Porque Deus é livre, o Modelo Cristão (MC, de agora em diante) deve valorizar a liberdade. Contrariando o liberalismo clássico, ele não deve tornar a liberdade em um bezerro de ouro. Teóricamente, o MC difere do liberalismo clássico em sua definição de liberdade. Enquanto liberais clássicos crêem que a liberdade é inerente em seres humanos, o MC crê que somente Deus é completamente e naturalmente livre. Para o MC, a liberdade divina é necessária e a humana contingente. Praticamente, o MC nunca deve desejar abolir autoridades heterônomas nem qualquer outro tipo de autoridade. Porque MC afirma a necessidade da liberdade divina e a contingência da liberdade humana, devemos ouvir a Deus como aquele que tem a palavra final no assunto. Ele é quem decide se devemos ter nossa liberdade humana auxiliada e restringida por algum tipo de autoridade além de Deus. E como será argumentado, Deus já encerrou o assunto declarando que a autoridade governamental é boa (quando efetuada de maneira que agrada a Deus).

Quem é Livre?

MC permanece de acordo com Adam Smith afirmando que a liberdade de trabalho, de demanda e oferta, é boa. Também concorda com Fréderic Bastiat que a lei deve proteger a liberdade. Aprova os princípios Aristotélicos de que a liberdade é o princípio da democracia, local onde a liderança é efetuada de forma livre. No entanto, MC parte caminhos e descorda que certas pessoas não merecem liberdade por sua raça, gênero, ou classe social. Visto que em Cristo a divisão entre escravo e mestre foi destruída, MC afirma que não deve haver escravo nem mestre; todos devem ser escravos do único Mestre, e todos devem compartilhar da mesma quantida de liberdade.

Liberdade de Idéias

Afirmo, como John Stuart Mill, que o princípio da liberdade de pensamento e idéias deve ser preservado. Cristãos, budistas, muçulmanos radicais, espíritas, e ateus. Todos devem ter sua liberdade de idéias protegidas. Rejeito, no entanto, que a liberdade de pensamento é uma liberdade sem coibições. Uma vez que Deus é perfeito e a verdade é perfeita, concluímos que aquilo que Deus diz é perfeito. Buscar a libertação da ignorância enquanto rejeitamos o Perfeito e sua Palavra é incoerente e quiçá irracional. É como ter sede e rejeitar a fonte de água viva (Salmo 1:1-3). Portanto, MC afirma que a liberdade de pensamento e idéias deve ser guiada pelas idéias e pensamentos Daquele que pode tornar-nos livres (João 8:36).

A Fonte da Liberdade

Por incrível que pareça, MC apóia Jean-Jacques Rousseau na distinção entre o homem e o animal através do reconhecimento da liberdade humana. Porém desafia o conceito de que esta qualidade é a única coisa que põem de lado o homem e o animal. Enquanto Rousseau cria que o homem é um animal avançado, MC brada Gênesis 1:26-27 como um hino que mantém a imago Dei como distinção entre a raça humana e o resto do mundo natural. Por último, MC afirma o que Thomas Hobbes afirmava: a liberdade está presente, em verdade, no estado natural. Ela é ontologicamente impressa em cada ser humano. No entanto, afirmamos que Deus é o único que provê liberdade ao homem, não o Leviatã.

Limites da Autoridade Governamental

O conhecimento de Deus na Palavra nos mostra que todos os homens são iguais. Portanto, MC conclui que nenhum ser vivente tem o direito de ter liberdade tirânica sobre outros. De fato, Romanos 13 afirma que autoridades governamentais detém suas propriedades autoritárias quando trabalham para o bem de toda a criação. Quando um líder age de maneira tirânica na consolidação de sua autoridade ele trabalha contra àquilo que busca. Em sua busca pela autoridade, ele tenta roubá-la de Deus, e a perde totalmente. Ele se torna como Assurbanípal (669-627AC), que ao usar de violência para conquistar sua autoridade estabeleceu um governo de terror que não permaneceu após sua morte. Governantes devem imitar Ciro, aquele que foi citado por Isaías. Ciro estabeleceu um governo de misericórdia e liberdade. Por conta disso, foi adotado pela população com amor fraternal e seu domínio teve efeitos que se estenderam até depois de sua morte. Autoridade é algo concedido por Deus somente quando as autoridades governamentais governam de acordo com a Sua vontade. Esta autoridade, de maneira fundamental e abstrata, é removida assim que o governante decide pisar em Deus e roubá-lo de sua autoridade.

Impostos: Uma Falsa Expressão de Amor

Humanos partilham da mesma carne e sangue, e porque todos são feitos na imagem do mesmo Deus todos são igualmente responsáveis pela preservação da vida e da justiça. Ninguém detém o direito de pisar em seu semelhante para garantir mais liberdade à si em relação ao próximo. Quão ilógico é atacar a humanidade de alguém para valorizar a sua própria? MC foca no fim e no decorrer do processo. Tudo é importante para Deus. Portanto, por causa da liberdade humana, MC nega que seria justo obrigar todos os seres que tem enriquecido mais do que os outros a compartilharem o benefício de seu suado trabalho com aqueles que não tem prosperado financeiramente. Isso não quer dizer que MC nega o apoio aos menos privilegiados, mas um modelo cristão deve ambicionar ajudar os menos privilegiados sem corromper o conceito de comunidade livre. Em outras palavras, MC afirma que obrigar as classes mais altas a compartilharem seu lucro com os mais pobres por meio de impostos é injusto e não cristão. É injusto porque justiça é render aquilo que lhe é direito. Como pode o governo obrigar alguém a render aquilo que lhes é de direito a alguém que não detém tal direito e ainda chamar isso de justiça? Em verdade, Mill estava certo quando afirmou que a lei não é sinônimo de justiça. Além disso, esta ajuda financeira falharia em ser considerada “cristã” porque teria seu enfoque em um exercício exterior do amor, o que contradiz a própria noção do amor. Por outro lado, visto que Deus escolheu um povo para si mesmo (e não apenas um agregado de indivíduos disseminados), MC crê que indivíduos devem ser educados a refletirem em suas próprias comunidades. Ao afiarmos nossas consciências veremos que MC permite o livre exercício da graça (porque graça, isto é, presente, não pode ser mandatório) e não infringe em níveis inferiores de autoridade.

Extensão do Governo: Educação, Preventivos, e Justiça Punitiva

Segue-se que no MC o governo detém o direito de exercer a influência de idéias e ações em áreas educacionais e preventivas, por exemplo. MC permite que princípios cristãos sejam ensinados nas escolas, e reserva o direito de rejeitar princípios que denigram a imagem de Deus na humanidade. No entanto, MC nega que a educação deva requerer regeneração de todos seus aprendizes, visto que tal requerimento cometeria o mesmo erro de demandar uma expressão exterior da religião (como foi apresentado no caso de impostos para divisão de renda). MC é firmado na natureza de Deus, e como tenho dito: Deus é livre. Portanto, humanos são livres para escolherem seus destinos. São livres para aceitarem tais princípios e para rejeitarem os mesmos. Por preventivos eu me refiro a eventos como violência no lar, adicções que tenham influência negativa em sua própria vida em comunidade, etc. O estado deve interferir em tais casos por causa de seu comprometimento com a imagem de Deus. Ao fazer tal coisa, o estado não denigre a imago Dei por infringir na liberdade, mas valoriza a herança divina em nosso ser através da proteção dos oprimidos. Aqueles que trabalham árduamente para a destruição da imagem de Deus devem ser confrontados com o fato de que a aniquilação de um ser humano requer justiça punitiva (Genesis 9:6). Nestes casos, o estado está sob a obrigação de punir o mal (1 Pedro 2:14). Seres humanos que louvam a imagem de Deus e sentem-se compelidos a participarem nesta tarefa concededida por Deus são permitidos a unirem-se nesta missão através de uma vida justa, da promoção de uma maneira sã de viver, e da sua afiliação a ofícios públicos.

Uma Questão de Foco: Deus ou o Homem

Todos os seres humanos são igualmente responsáveis pela preservação da vida e da justiça perante Deus. Preservar a imagem de Deus é preservar aqueles que detém tal atributo. Portanto, do mais simples ao mais complexo nível de autoridade pública, todos tem a mesma quantia de obrigação de preservar a imagem de Deus. Vemos no decorrer da história que quando focamos em Deus valorizamos a humanidade. O oposto, focar na humanidade, no entanto, é desastroso. Quando a sociedade cessa sua adoração ao único Deus, ela começa a idolatrar o homem. Ao focar na humanidade ela destrói a humanidade do homem. Esta idolatria falha na sua privisão de vida porque não foca no homem em sí, mas sim nos efeitos da queda na humanidade. Portanto, por falhar em identificar o homem, ela promove aquilo que deseja destruir a humanidade: o pecado. MC assegura que qualquer sistema político que tenha o homem como seu foco primário vai trabalhar para a destruição de sua própria premissa; tal sistema tem marcado óbito por supervalorização do era bom quando colocado em segundo plano.

Matéria e Propriedade

Porque Deus é Espírito, e porque Deus é a estrutura da bondade, MC demonstra tais princípios através da crença de que bens materiais não podem ser o objetivo final da vida. O objetivo final, o bem fundamental da vida, é valorizar Aquele que dá substância a palavra “bom”. MC difere do socialismo, porque não apóia o pensamento socialista de que a igualdade material é o objetivo da nação. De fato, MC reconhece o bem da criação através da incarnação do Cristo. No entanto, afirma apenas que Deus se tornou homem, não que o homem deve ser Deus. MC defende que o Espiritual interpenetrou o material, então nega que o material deva ser elevado acima do que é espiritual. Nas áreas educacionais, o que não quer dizer que MC afirma educação estatal ou a negação de instituições educacionais privadas, devemos influenciar pensadores no fato de que a matéria é boa, e por conta disso seres humanos devem ser sábios no manuseio de tal bênção. Eles nunca devem buscar prosperar sem limites, porque quando a aquisição de bens perde qualquer objetivo além da vã multiplicação, bens materiais perdem sua propriedade divinamente declarada (“E viu Deus que era bom”). Sua vida é guiada por aquilo que você busca. Caso busquemos o que não podemos e não queremos controlar, seremos controlados por aquilo que buscamos. Dada nossa crença na liberdade, negamos que a perda de nossas propriedades de controle daquilo que permite o livre exercício de aquisição seja bom. A influencia educacional deve ser esta: seres humanos devem conscientemente reconhecer seu próximo como superiores a sí mesmo, e devê-los a mesma honra devida a um emperador (1 Pedro 2:17). Através da aquisição deste nível de consciência estabelecemos uma sociedade em comunidade, e o amor pelo próximo pode ser exercido livremente por aqueles que desejam contribuir para o suprimento daqueles que são seus semelhantes.

Conclusão

As considerações em favor do modelo cristão, neste momento, não pretendem apresentar conclusões afiadas relacionadas a áreas específicas da vida pública. Para fazer tal coisa inúmeras páginas seriam necessárias para uma breve introdução do MC com relação à cada esfera da vida. Esta tarefa, no entanto, é parte do mandato cultural de Gênesis e não deve ser ignorada por nós, cristãos. A própria tarefa da elaboração de um modelo cristão é missional e escatológica. É missional porque foca na honra de Deus através do abrir dos olhos daqueles que tem dificuldade de ver o valor do cristianismo no presente e na vida futura. É escatológico porque é uma tentativa de representar no mundo atual o que há de ser quando Jesus Cristo voltar.

MC deve sempre ser pensado e elaborado a partir destes dois pontos: o conhecimento de Deus e o conhecimento do homem. Cristãos devem refletir nestas questões e estão ordenados a apresentar nossa sociedade um sistema que honre a Deus e que permita a diversidade fora do sistema religioso cristão enquanto valoriza a humanidade e a criação. É afirmado que tais princípios elaborados acima contribuem para esta busca como um nível introdutório através de construir fundamentos para uma discussão mais elaborada. Nesta tarefa, que os pensamentos dos homens sejam para a honra de Deus e para a preservação da criação divina.


Imagem: Brasilia, Brazil por UC Berkeley Departament of Geography.

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Natan de Carvalho é estudante de Teologia e Filosofia na Southeastern Baptist Theological Seminary, na Carolina do Norte. O Catarinense, de Jaraguá do Sul, agora reside em Raleigh, aonde congrega e serve na Crossroads Fellowship Church. Natan também está colaborando na tradução do Logos Bible Software para o Português. Completou o Intensivo Ministerial e Missionário com o minstério Clamor de Media Noche, e também cursou teologia no Instituto Teológico Batista Catarinense.

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  • Hartur Reis

    Cara, nesse MC usuários de drogas seriam punidos. Prostitutas seriam punidas. Todo mundo seria punido, toda hora… A moral cristã não precisa do governo para ser dominante.

    • Hartur,
      Por favor me explique como todos eles seriam punidos. Também me explique sua segunda frase porque ela não faz muito sentido para mim.

      Obrigado!

      • Hartur Reis

        Se é função do estado zelar pela imagem de Deus, aqueles que a depravam devem ser punidos, logo todos devem ser punidos só que em graus diferentes. Se o melhor governo possivel é o MC porque ele precisa se impor aos demais?

        • Hartur,
          Entendi seu ponto. Eu disse que o “MC nega que a educação deva requerer regeneração de todos seus aprendizes, visto que tal requerimento cometeria o mesmo erro de demandar uma expressão exterior da religião (como foi apresentado no caso de impostos para divisão de renda). MC é firmado na natureza de Deus, e como tenho dito: Deus é livre. Portanto, humanos são livres para escolherem seus destinos. São livres para aceitarem tais princípios e para rejeitarem os mesmos. ”
          Ou seja, o modelo valoriza a imagem de Deus, mas a própria valorização da imagem de Deus nos impede de “punir” aqueles que fazem más escolhas (enquanto não estiverem maltratando outros ao seu redor, ou seja, enquanto seu vício não gere co-adicção, por exemplo) pela alta estima pela liberdade.
          “Punição” não está tão clara no meu texto porque eu não tenho tempo para entrar em detalhes, então assumo que você esteja inserindo seu próprio significado no meu texto. E, como autor do texto, tenho que negar o sentido no qual você está utilizando a palavra.
          Como explicado no parágrafo que copiei aqui, ter uma moral cristã não significa requerer regeneração dos cidadãos. Logo, dizer que “todo mundo seria punido, toda hora…” é um exagero e não apresenta MC de maneira correta.
          Além disso, você (errôneamente) assumiu que eu apresentei “o melhor governo possível”. Tal ambição nunca foi minha por três razões. Primeiro, o que eu apresentei no texto não é um “governo”, mas sim breves considerações para acrescentar no debate em busca de um modelo que glorifique a Deus. Segundo, nunca foi dito que eu penso que este seja o “melhor governo possível”. Terceiro, meu espaço e tempo não me permite elaborar uma análise detalhada de como o MC deveria se parecer na vida real, por isso nunca tive tal ambição. Concluo então que suas palavras não fazem um ataque ao meu texto, mas sim a sua reação ao meu texto (no qual eu não tenho obrigação de defender-me). Se o texto lhe parece assim, amém. Como pessoa você tem este direito e está em seus direitos epistêmicos de crer desta forma. Como leitor devo te alertar que talvez você devesse prestar mais atenção na intenção do autor. O autor pretende responder as questões que ele quer, e se delimita nisso. Pedir a ele mais do que ele se propôs a escrever é pedir um “Volume II” de tal obra e/ou pedir que o autor vá contra sua própria introdução e conclusão (meu caso).
          Abraço!

          • Hartur Reis

            O q estou criticando no seu texto é q vc parece endossar os modelos de governo atual do ocidente (democracia representativa coercitiva). De modo que ele só não é melhor porque os representantes na sua maioria não seguem princípios cristãos. Assim não podem realizar o que vc chama de MC. Eu penso q essa possibilidade já passou

  • André Lucas

    Natan, você poderia exemplificar melhor como funcionaria a coibição do Estado na questão da liberdade de ideias? Não consegui enxergar uma harmonia nesse conceito.. Quais as diferenças dessa liberdade para um relativismo cultural? Obrigado! Ótimo artigo, abraço!

    • André,
      Obrigado pela pergunta! Seu ponto é muito relevante e infelizmente meu texto não tem capacidade de explicar suas dúvida devido ao espaço disponível.
      Vamos pensar desta forma, com três exemploes: um cristão expondo que o pecado é ruim e que a libertação do pecado tem vantages psicológicas, um espírita apresentando razões para crermos na reencarnação, e um muçulmano publicamente proclamando que mulheres que não vestem a burca devem ser assassinadas em praça pública. Você sente que algum destes discursos deveriam ser banidos? Eu digo que nenhum deles deve ser banido se apresentados de forma coerente.
      Veja bem, como podemos responder aos apelos muçulmanos se eles não são permitidos a exporem suas crenças? Além disso, e se o jogo virar para nós e o governo não quiser mais que cristãos exponham suas crenças? Me parece que a proibição do discurso livre de crenças dificulta a apologética, o diálogo cultural, e qualquer possibilidade de discussões frutíferas.
      No entanto, creio que o contexto é importante. Se temos um muçulmano em praça pública tentando convencer pessoas a apedrejarem mulheres que não utilizam burcas, o contexto é diferente. Aqui, ele não está apresentando suas crenças como uma maneira viável de ver o mundo. Ele está tramando um crime, que, no momento, é punitivo. O estado então deve restringir tal forma de discurso. Isso não infringiria a liberdade? De forma alguma. Porque através do ato do estado participamos de uma espécie de discurso ativo contra o discurso verbal da ideologia violenta. Mostramos que, em sociedade, tal princípio (o do muçulmano) deve ser rejeitado em prol da liberdade de expressão e propriedade–Liberdade de se expressar através de suas roupas, que são sua propriedade.
      Não temos um relativismo cultural porque a restrição do discurso violento (apelativo) é efetuada por uma alta estima à liberdade.

      Espero que isso responda a pergunta. Caso não responda, fique a vontade para comentar novamente 🙂

      • André

        Respondeu sim, obrigado!

  • Luiz Felipe

    Natan,

    Em relação aos impostos de acordo com o MC seria injusto taxar os mais ricos em relação aos seus lucros com uma alíquota maior que os mais pobres? Isso não traria um equilíbrio maior para a sociedade como um todo?

    Paz e bem!

    • Luiz,
      Bom ver que você reparou nisso e está pensando sobre o assunto. Fico feliz em contribuir para o florescimento do pensamento 🙂
      Nessa questão eu me volto para uma das causas da Revolução Francesa. Os pobres eram os unicos que pagavam impostos e os ricos não. Isso gerou revolta e um desbalanço econômico imenso. Os pobres nunca seriam capazes de pagar suas dívidas, mas como as dívidas existiam alguém tem que pagar. Se os ricos não pagam, quem paga? O governo. Mas se o governo não recebe dinheiro, quem paga? Ninguém. O país quebra. Logo, eis a revolução xD
      Meu ponto no texto é contra a obrigação dos ricos de terem de pagar os impostos que os pobres não pagam. Os menos favorecidos economicamente podem não pagar ou, pior ainda, receber deste benefício sem poder contribuir (por meio de outros impostos). Então Luiz, minha posição, de maneira breve e superficial, é de que sim, impostos devem ser relativos àquele que paga o imposto. No entanto, aquele que trabalha na elaboração de um MC deve gastar bastante tempo desenvolvendo um sistema “a prova de vagabundo que mama na teta do governo.” Podemos chamar de VMTG pra ficar mais politicamente correto. Devemos sim contribuir para uma melhora na sociedade em geral, mas enviar dinheiro diretamente para aqueles que estão na pobreza talvez não seja a melhor idéia.

      Espero ter respondido!
      Abraço!

      • Luiz Felipe

        Natan respondeu perfeitamente! Obrigado pelo retorno!

        Chego a esse questionamento pelo fato de que aqui no Brasil quando da aprovação da PEC de teto de gastos o governo atacou prioritariamente as despesas e não a receita (taxação das grandes fortunas, taxar heranças e os lucros e dividendos das grandes empresas) trazendo dias difíceis para todos principalmente para a chamada classe média, acredito que essa ideia de taxar os mais afortunados dificilmente vá adiante, se não me engano o Obama pensava nisso enquanto ainda era presidente.

        paz e bem!

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