Romanos 9 – A Prioridade do Coletivo no Argumento de Paulo (Parte I)

Introdução

Tanto uma leitura breve quanto uma leitura mais detalhada de Romanos 9 nos levará ao encontro de uma verdade incontestável: a eleição. Se existe eleição, devem existir vários ou um que é eleito, ou pelo menos um ou vários objetos de eleição. Se a eleição é evidente em Romanos 9, como devemos entendê-la? Seria ela um ato monergístico da parte de Deus? Se o é, seria incondicional ou condicional? Será que Deus elege groupos ou indivíduos? Poderia ser ambos? Qual ele elege primeiro?

Levando em consideração o Antigo Testamento e a filosofia Helenística como plano de fundo cultural, a fundação da eleição coletiva é bem provável dentro de uma leitura contextual de Romanos 9. Paulo, um Judeu Romano sabia muito bem dessas cosmovisões e utilizou dessas ferramentas para responder a questão dos eleitos em Romanos 9-11 [1]. Seria a eleição coletiva o fundamento no qual a eleição individual ocorre, ou o oposto? Argumentos bíblicos, teológicos, e filosóficos serão apresentados para advogar por um entendimento mais preciso no que se refere a orientação lógica da eleição em Romanos 9.

Debates contemporâneos entre Brian J. Abasciano e Thomas R. Schreiner serão parte deste texto com o objetivo de enriquecer e contextualizar a conversa que existe entre os jornais acadêmicos aqui nos Estados Unidos [2]. Meu objetivo é que, ao final deste breve artigo, você esteja apto a reconhecer a possibilidade de que a eleição em Romanos 9 deve ser entendida como uma interrelação entre eleição corporativa e individual, enquanto mantendo que o coletivo é primário sob o particular [3].

Entendendo Romanos 9 na Carta aos Romanos

O livro de Romanos é o tratado teológico de Paulo. Os primeiros 11 capítulos lidam com conhecimento teórico–que é comum na filosofia Grega–, e implicações práticas surgem dos 5 últimos capítulos que seguem [4]. O livro não é simples e dá devida significância as palavras de Pedro no capítulo 3 de sua segunda carta (cf. v. 16). Como Bruce M. Metzger declara, “algumas vezes [Paulo] vai começar a responder uma objeção, deixar o assunto pendente, e retornar ao mesmo com mais sustância mais tarde (por exemplo, 3:1-4 é continuado nos capítulos 9-11, e 3:5-8 nos capítulos 6 e 8 e em 12:1-15:13)” [5]. Romanos 9 não pode ser isolado do contexto do argumento geral de Paulo.

Em Romanos 1:16-17 Paulo declara o meio pela qual a salvação é efetuada: pela fé. Todos estão em busca de um salvador e todos estão distantes dos caminhos do Senhor desde Adão e Eva. A humanidade é condenada e, em sua própria aliança, não existe chance para salvação (1:18-3:20). Os gentios adoraram a criação e a si mesmos (1:18-32), enquanto Judeus também falharam em manteram um comportamento digno de sua nacionalidade (2:1-3:20). Em resumo, nem Judeu nem Gentio nos tempos de Paulo conseguiram viver de forma tão santa a ponto de merecerem o favor de Deus; suas atitudes e ações não lhes garante direito de participação na fiel aliança de Deus. O Evangelho é subitamente introduzido como o que provê salvação, que é condicionaldependente da fé (3:25). Paulo explica que aqueles que viveram debaixo da aliança Judaica no AT não foram justificadas pelo seu cumprimento da lei [6]. Nem mesmo os maiores nomes do AT como Abraão, foram justificados à parte da fé (4:1-25; cf. Gênesis 15:6). Na nova aliança, gentios recebem o mesmo poder que ressurgiu Cristo dos mortos (Romanos 8:11) para serem santificados e viverem de maneira honrosa (5:1-11; o que arruma o palco para os 12-16). Adão é apresentado como aquele por quem o mal veio, e Jesus como aquele por quem a salvação veio (5:19). Paulo responde três objeções contra a salvação graciosa pela fé (6:1-7:25) [7]. E Paulo declara que crentes, Gentios no caso, participam da união na aliança divina “em Cristo” pela fé, e nada pode separá-los de Deus e de suas promessas (8:1-39) [8].

Com isso em mente, Romanos 9 é introduzido. A questão precisa ser respondida: se Deus prometeu salvação aos Judeus, isto é, aos Eleitos de Israel, como é que eles rejeitaram o Messias? Se Deus falhou em suas promessas a Israel, por que motivo os Gentios deveriam crer na “corrente da salvação” de Romanos 8:28-30? Do capítulo 9 ao 11, Paulo vai responder essa questão [9]. Este é o contexto que, de acordo com meus estudos e pesquisas, Romanos 9 deva ser lido. É neste contexto que responderemos as questões levantadas inicialmente, analisando a eleição a partir dele [10].

Confirmação

Romanos 9 deve ser entendido como um texto que lida com a eleição de um grupo e de indivíduos [11]. O valor real da eleição não é nem debatido por mim, mas sim sua essência (corporativa ou individual) e sua ordem (aquilo que é primário) é o que analizo aqui. Eleição em Romanos 9 não é exclusivamente nem de um grupo nem de indivíduos. Você pode vir a afirmar a prioridade do corporativo sob o singular na passagem considerando (1) o contexto geral de eleição no AT, (2) o uso da linguagem de eleição e sua natureza corporativa nos textos de Paulo, (3) o plano de fundo helenístico como a cultura contemporênea de Paulo em contraste com o individualismo do Ocidente, (4) uma posição realista no que se refere a objetos abstratos e universais, e (5) o relacionamento entre o todo e suas partes. Somente após analizar todos estes aspectos em favor de um entendimento coletivo de Romanos 9 você poderá escrutinar a identidade do individual à luz do corporativo.

Contexto no AT

Primeiro, eleição no AT é primeiramente corporativa [12]. Isso não é dizer que a eleição em tais textos é cronologicamente anterior à eleição de indivíduos, apesar de sua possibilidade lógica, mas sim advogar que a eleição corporativa é logicamente anterior à eleição de indivíduos e, portanto, primária. Como Klein escreve, “as referências à indivíduos eleitos [no AT] encontra sua substância no contexto da eleição da comunidade para seu serviço” [13]. Deus nunca rejeita o todo enquanto deixa o indivíduo imune, mas ele já rejeitou indivíduos enquanto manteve o todo intacto [14].

Além disso, a identidade dos indivíduos é fundamentada na identidade do grupo. A partir da eleição do indivíduo Abraão, o todo, ou seja, sua comidade, também veio a ser eleita. No entanto, Israel não tem sua identidade fundamentada em Abraão ou qualquer outro patriarca [15]. Até mesmo John Piper, que defende piedosamente a noção individualística da eleição na teologia Paulina, nota que “a eterna salvação do indivíduo como Paulo ensina é quase nunca o foco de uma discussão no AT” [16].  As passagens usadas em Romanos 9 são corporativas em sua natureza, o que parece sugerir que a interpretação que Paulo gostaria que seus leitores tivessem contenha, em alguma forma, elementos corporativos.

Eleição individual para Paulo

Não é verdade que Paulo eleva a eleição individual. A linguagem de eleição está primeiramente conectada à grupos na teologia Paulina, com exceção de algumas poucas instâncias. “Paulo fala”, explica Abasciano, “dos ‘eleitos de Deus’ (Romanos 8:33), da Igreja como sendo eleita ‘em Cristo’ (Efésios 1:4), e ‘sua eleição’ (‘sua [plural] eleição’, 1 Tessalonicenses 1:4), mas nunca com linguagem individual [17]. De fato, até mesmo Douglas Moo reconhece que o AT e a tradição Judaica eram focadas somente na eleição corporativa [18]. Por estas razões, Abasciano afirma fortemente que Paulo está tratando sobre eleição corporativa, e não individual; porque a teologia de Paulo era baseada nas Escrituras (AT), e porque ele era altamente influenciado pelo pensamento judeu [19]. Em verdade, parece ser coerente afirmar que o uso destas ferramentas focadas na eleição grupal levou Paulo a reafirmar tais posições em seus escritos.

Pensamento Helenístico e Semítico

As ideias de ambos grupos eram primariamente corporativas. Otto Eissfeldt afirma, “para o pensamento Israelita, que nesta conexão se encontra bem harmônico com o pensamento Semítico de forma geral, e também possui paralelos fora de tal grupo, a unidade é anterior à diversidade. A comunidade é anterior ao indivíduo; a entidade real é a comunidade, e os indivíduos que pertencem a tal tem sua origem na mesma” [20].

A cultura mediterrânea Helenística também tinha uma visão mais coletiva sobre a eleição do que uma ideia individual. De fato, Garry Burnett conclui que, por mais que elementos sociológicos na história possam apontar para o fato de que existiam sim elementos individualísticos no Judaísmo do primeiro século, o entendimento coletivo era predominante [21].

Portanto, o plano de fundo cultural da literatura Paulina indica a preponderância do grupo sob o indivíduo. Além do mais, devo ressaltar que dados os pontos 2 e 3 previamente apresentados, o leitor não deve ter dificuldade em abster-se de supor que o entendimento individualístico é ulterior aos Escritos Paulinos. O contexto cultural de Paulo foca no grupo, não no indivíduo. Por conta disso, o leitor deve se familiarizar com o contexto de Paulo para ler as palavras de Paulo em seus próprios termos.

Realismo Ontológico

A eleição de um grupo anterior ao indivíduo pode ser entendida facilmente com um pensamento realista a respeito do que é abstrato. Klein, analizando os argumentos de Russell Shedd, afirma que “a personalidade do grupo transcende o tempo e o espaço, para que uma família possa ser identificada com seus ancestrais (Gênesis 13:15-17; Isaias 41:8; Oséias 11:1; e Malaquias 1:3-4) [22]. Além de um ser pessoal (que claramente não se enquadra neta possibilidade), temos objetos abstratos que transcendem espaço, tempo, e matéria. Proponho o realismo como uma ferramenta para facilitar o entendimento de como Deus pode eleger um grupo em Abrão que ainda era inexistente no tempo da eleição do mesmo.

O universal da corporação de Israel é necessário; Israel não teve um início, e por conta disso, sempre existiu na mente de Deus. Veja que não afirmo que era necessário que Deus tenha eleito a Israel, mas o universal estava presente como um objeto de reflexão antes mesmo da atualização deste “estado de coisas”, dado o atributo de omnisciência divina. Israel não fora criada, porque a nação sempre existiu como um objeto abstrato, tal como Nova Iorque, números, buracos, etc. Você não pode tocar Nova Iorque ou buracos porque estas coisas não são objetos concretos no mundo atual, mas apenas servem como uma ferramenta linguística.

Israel como unidade física (ultimamente) não existe, somente seu objeto abstrato ou universalidade. O universal não fora criado por Deus, mas meramente atualizado por ele, e instanciado pelos indivíduos que pertencem à esta nação. Na atualização divina do grupo em Abrão, o sujeito agora instancia a propriedade “ser Israel”. Da mesma forma que uma mesa não instancia todas as mesas existentes, mas somente representa todas apesar de suas diferenças físicas, Abrão não instancia todos os israelitas, mas pode muito bem representar o todo da nação mesmo que tal seja inexistente no tempo da eleição.

É verdade que Deus conhece todos os valores contrafactuais a respeito dos que pertencem em Israel, também é verdade que Deus sabe quem seria parte da nação de Israel. Portanto, o valor de tais contrafactuais pode ser considerado como preposições com valor real verdadeiro na mente de Deus. Dadas estas premisas, Israel fora representada no indivíduo, mas o indivíduo representado pelo todo, e o todo existe na mente de Deus mesmo antes da atualização de indivíduos. Por consequência, Israel existia mesmo que Abrão fosse o unico “israelita” no planeta terra.

O Todo e suas Partes

Abraão (A) era antecedente a propriedade “ser Israel”, ou “ser a raíz de Abrão” (RA), e todos que instanciavam a propriedade RA eram cronologicamente consequentes à A. Portanto, A precede RA, não o oposto. No entanto, A ser anterior à RA implica que A difere de RA em sua ordem cronológica. Deus traz RA a partir de A, mas RA era o objetivo desde o início. A veio de RA, mas RA não veio para A.

A representa RA como abstracta. No entanto, todos que instanciam RA partilham em A. Logo A, de certa forma, deve ter as propriedades constituentes de RA. Se  A era ambos numbericamente e qualitativamente differente de RA, o último nunca poderia representar ou ser representado por A visto que ambos seriam radicalmente diferentes. Assim, admito, A é cronológicamente anterior à RA, mas o último é logicamente anterior à A porque RA dá significância e substância à A.

A em sí mesmo é vazio em vago, enquanto A em RA, à luz de RA, e por causa de RA, é substancial. In summa, A possui todas as propriedades de RA, enquanto RA não possui todas as propriedades de A; Abrão possuía todas as propriedades de ser RA, mas nem todos que compartilham da propriedade RA possuem as propriedades de de Abrão em si. Identidade é deridava do todo [23].

Clarificações

A soma destes cinco pontos expõem um caso cumulativo da defesa da prioridade do todo na questão da eleição. Esta prioridade coletiva não nega a eleição individual ou qualquer corolário que possa fluir de Romanos 9 a respeito de indivíduos, mas apenas advoga uma leitura contextual e logicamente coerente de Romanos 9. Dois pontos, no entanto, precisam clarificação: (1) a escolha do grupo tem vínculos na eleição individual, e (2) a eleição do grupo e a eleição de como o indivíduo fará parte deste grupo é uma escolha soberana de Deus.

Abasciano explica que a “eleição corporativa se refere à escolha de um certo grupo, que implica na escolha de seus membros pela virtude da membresia neste grupo. Portanto, indivíduos não são eleitos como indivíduos de maneira direta, mas secundáriamente como membros do grupo eleito. Todavia, a eleição corporativa necessáriamente implica em um tipo de eleição individual por conta da inextricável conexão entre qualquer grupo e os indivíduos que pertencem ao mesmo. Indivíduos são eleitos consequencialmente via sua membresia no grupo [24]. Este entendimento nega que Deus elege indivíduos de forma primária e, como mera consequência da eleição de mais de um indivíduo, elege um grupo. Se indivíduos eram primários na escolha de Deus, é possível que a identidade do todo dependa da soma identificacional de suas partes. Mas como visto anteriormente, isso se alinha mais com uma linha de pensamento pós-NT do Ocidente, não com as ideias comuns ao Judaísmo do primeiro século. Além disso, um entendimento realista também clarifica que o todo e o indivíduo possam ter identidades independentes de forma existencial.

A eleição de indivíduos, no entanto, não é incondicional, mas condicional e limitada. É condicional porque depende da fé, e é limitada porque Deus limitou a cabeça da Aliança em Cristo. Eleição de indivíduos no grupo, portanto, ocorre quando um indivíduo deposita sua fé no Cabeça da Aliança [25]. A eleição de indivíduos como consequência do grupo, pela fé, não é o mesmo que dizer que humanos causam sua eleição, ou que a eleição “antes dos fundamentos do mundo” (Efésios 1:4) seja efetuada através do conhecimento de Deus do futuro. O leitor deve lembrar que Deus escolhe Israel para salvação mas nem todos Israelitas são, por herança biológica, verdadeiros Israelitas. Um Israelita verdaidero é aquele que coloca sua fé no Messias. E eleição de Israel mesmo pode ser entendida como condicional neste sentido. A palavra “condicional” não tem o mesmo significado para Calvinistas e Arminianos, e existe muita confusão quando grupos exclusivos utilizam a mesma terminologia com sentidos diferentes para provar pontos diferentes sem delimitar limites no seu apparatus conceitual. Condicional deve ser entendido como a condição para eleição, e até mesmo a possibilidade de responder positivamente ao chamado monergístico e graciosamente iniciado por Deus. Veja que isso não é o mesmo que dizer que humanos, em sua própria bondade, causam, pelos seus próprios esforços, sua eleição. Isso seria forçar Deus a escolhê-los por sua fé, caso Deus não tenha escolhido que este seja o meio para a eleição. O condicional se refere ao sujeito preencher as condições eleitas por Deus (leia, reconhecer a Jesus como o Messias). Isso difere da afirmação falaciosa e errônea de que humans condicionam sua eleição (perceba o uso da cláusula condicional fora do contexto delimitado por mim). Concluo que o condicional se refere a soberana e livre escolha de Deus em escolher os termos pelos quais indivíduos virão a partilhar no grupo em uma aliança baseada na fidelidade de Deus para seu povo eleito.

Para declarar que Deus é soberano sob a criação e que suas escolhas não são suprimidas ou limitadas pelas ações ou vontades humanas, e após apresentar razões para entender Romanos 9 como um texto primáriamente grupal, e após explorar a identidade dos indivíduos em seu relacionamento com o todo, podemos explorar objeções e concluir o argumento. No entanto, para manter a leitura mais acessível, cumprirei tal tarefa em um próximo momento. No próximo texto responderei objeções que podem ser levantadas ao sistema apresentado, e concluirei meu pensamento com algumas aplicações e benefícios deste modelo. Aguarde no Senhor 🙂


[1] Assumo aqui que Romanos 9-11 fazem parte de apenas um argumento singular.

[2] Visto que não existe nenhuma resposta recente de Abasciano à Schreiner no Journal of the Evangelical Theological Society, usarei os comentários de Abasciano em Romanos 9:1-18 para responder algumas das objeções de Schreiner.

[3] Foco na correta interpretação de Romanos 9, não do tópico de eleição em si. Não nego que eleição individual seja verdadeira, mas também não dou apoio a tal idéia neste texto. Apenas apresento razões para interpretar Romanos 9 tendo em mente a teologia do Antigo Testamento e o background de Paulo em filosofia Helenística como plano de fundo cultural em Roma. Novamente, discuto a essência da eleição em Romanos 9, não eleição em teologia Paulina, teologia bíblica, cristã, ou sistemática.

[4] Isso ilumina nossa visão na audiência de Paulo: tanto gentios quanto Judeus.

[5] Bruce M. Metzger, The New Testament, Its Background, Growth, and Content (Nashville, Tennessee: Abingdon Press, 1993), 229.

[6] De fato, não creio que o Judaísmo sequer foi isso que lhe é propagado: que os Judeus tentavam se salvar pelas suas obras. Não creio que tal afirmação faça sentido no contexto de “salvação” para os Judeus, mas isso é conversa para outro dia.

[7] As objeções são que o pecado é permitido visto que Cristo pagou tudo (6:1-14), que a liberdade da Lei significa liberdade de uma vida piedosa (6:15-7:6), e que a teologia Paulina implica que a Lei é ruim (7:7-25).

[8] A expressão “em Cristo” é utilizada 35 vezes nesta carta. Isso é importante porque a questão da eleição é trazida novamente em Efésios, uma carta essencial para entendermos como Paulo entendia a questão da “eleição.”

[9] A maior parte dos acadêmicos separa estes versos desta forma. Por causa do espaço que eu tenho neste texto, não vou lidar com o assunto. Para uma análise mais profunda, consulte:

  • Bruce W. Longenecker, “Different Answers to Different Issues: Israel, The Gentile and Salvation History in Romans 9-11” no Journal for the Study of the New Testament 36 (1989), 95-123.
  • Robert Badenas, Christ in the End of the Law: Romans 10:4 in Pauline Perspective (Sheffield Academic Press, 1987).
  • Mary Ann Getty, “Paul and the Salvation of Israel: A Perspective on Romans 9-11” em The Catholic Biblical Quarterly 50, 3 (July 1988), 456-469.
  • Eldon Jay Epp, “Jewish-Gentile Continuity in Paul: Torah and/or Faith? (Romans 9:1-5)” em The Harvard Theological Review 79, 1/3 (1986), 80-90.
  • Walter N., “Zur Interpretation von Römer 9-11” em Zeitschrift für Theologie un Kirche 81, 2 (1984), 172-195.
[10] Os pontos e quebra de versículos são de Metzger, The New Testament, 231.

[11] Entendo que este não seja o principal ponto de Paulo e que o contexto de Romanos seja muito mais significante, mas no momento ainda estou desenvolvendo meu entendimento no assunto.

[12] William W. Klein, The New Chosen People: A Corporate View of Election (Eugene, Oregon: Wipf & Stock, 2015), 11-15.

[13] Ibid., 11.

[14] Por exemplo, Deus elegeu Saul individualmente (1 Samuel 10:24), e então rejeitou seu papel no grupo (13:13-14; 15:10, 23, 26-29). Mas o povo de Deus ainda era o povo de Deus. A rejeição de Saul não influenciou a fidelida de Deus em sua eleição de Israel (12:22; Jeremias 31:27-28; e Ezequiel 16:59-60). Não nego que Deus tenha rejeitado sua nação por conta de alguns indivíduos. Malaquias 3:8-12 deixa evidente o fato de que muitos estavam falhando com o Senhor e por conta disso a nação toda sofreu consequências. Mas mesmo neste evento não foi o caso de que a nação toda foi julgada e rejeitada pela ação de um só indivíduo.

[15] Isaias 44:1-2 é uma instância clara em que Deus se refere a indivíduos eleitos para explorar a noção corporativa da identidade dentro do grupo.

[16] John Piper, The Justification of God: An Exegetical and Theological Study of Romans 9:1-23 (Grand Rapids, Michigan: Baker Academic, 1993), 64.

[17] Brian J. Abasciano, “Corporate Election in Romans 9: A Reply to Thomas Schreiner” em Journal of the Evangelical Theological Society 49, 2 (2006), 356.

[18] Douglas J. Moo, “The Epistle to the Romans”, The New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1996), 586.

[19] Brian J. Abasciano, “Clearing Up Misconceptions About Corporate Election” no Ashland Theological Journal 41 (2009), 78.

[20] Otto Eissfeldt, “The Ebed-Jahwe in Isaiah xl-lv. In the Light of the Israelite Conceptios of Community and the Individual, the Ideal and the Real” no The Expository Times 44 (1933), 264.

[21] Garry W. Burnett, Paul and the Salvation of the Individual (London: Brill, 2001), 86-87.

[22] Klein, The New Chosen People, 13.

[23] Aqui biblicistas terão uma forte tendência de me acusar de impor meu contexto filosófico sobre as Escrituras. No entanto, ambos os pontos 4 e 5 não podem ser acusados de eisegese porque nunca foi sugerido por mim que devamos ler tais argumentos no texto bíblico. A intenção por detrás do argumento 5 é mostrar que é possível que Deus tenha eleito seres ainda não instanciados na eleição de Abrão, logo tornando-a algo além de eleição individual. O argumento 4 está meramente tentando mostrar que é logicamente coerente dizer que o todo dá a identidade de suas partes, e não o oposto.

[24] Abasciano, “Clearing Up Misconceptions”, 60.

[25] Da mesma forma que Judeus eram eleitos em sua associação com Jacó (sendo eleitos em Jacó), Gentios são eleitos pela sua associação com Cristo (sendo eleitos em Cristo, como declara Efésios 1:4).

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Natan de Carvalho é estudante de Teologia e Filosofia na Southeastern Baptist Theological Seminary, na Carolina do Norte. O Catarinense, de Jaraguá do Sul, agora reside em Raleigh, aonde congrega e serve na Crossroads Fellowship Church. Natan também está colaborando na tradução do Logos Bible Software para o Português. Completou o Intensivo Ministerial e Missionário com o minstério Clamor de Media Noche, e também cursou teologia no Instituto Teológico Batista Catarinense.

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  • Leonardo Pereira

    Muito bom este texto! mesmo não compreendendo alguns pontos devido minha própria limitação, me fez pensar bastante sobre a ênfase da eleição do grupo ao invés do indivíduo. Um abraço Natan e fique na Paz !

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